Imagine pessoas levantando pesos em um campeonato de força.
Na média, os participantes levantam algo próximo de 70kg, em equipamentos que permitem até 100 de carga.
Há, entretanto, uma participante que consegue, em todos os testes, levantar a carga máxima. Em qualquer equipamento, mesmo com 100kg, sua performance é perfeita.
Diferentemente dos demais, a capacidade desta competidora é desconhecida.
Quando um participante coloca um peso de 99kg e chega ao limite de sua força, sabemos que sua capacidade é 99. Se aumentar para 100, ele não conclui a prova.
Todavia, para a participante que levanta sempre 100, não sabemos se sua capacidade se encerra exatamente em 100. Seria ela capaz de levantar 110, 200... 1.000 quilos?
Uma vez que os equipamentos atuais são insuficientes para medir a força desta competidora, precisamos aumentar o nível da avaliação para descobrir os seus limites.
Se criarmos um equipamento que meça até 150kg e ela, novamente, for capaz de levantar, teremos que continuar aumentando.
Mas e se descobrirmos que esta aluna é, na verdade, a Super-Mulher? E se descobrirmos que, independente da máquina que nós, meros humanos, sejamos capazes de criar, ela sempre poderá, sucessivamente, superar o teste?
Como seremos capazes de testar a força de uma criatura que excede os limites da própria capacidade humana?
Um bebê alienígena entre nós
Os Modelos de Inteligência Artificial vêm mostrando a capacidade de superar inúmeros testes humanos que damos a eles. Provas universitárias, exames de ordem, testes de lógica, desafios de competições internacionais. Em alguns casos, os resultados já são quase perfeitos: ao que tudo indica, veremos nota máxima sempre.
Junto com a capacidade de responder a provas e exames, chega a capacidade de transpor nossos sistemas; sociais, tecnológicos, financeiros, militares. Chega a capacidade de criar soluções que salvam vidas, mas que potencialmente as destroem.
Acontece que esta tecnologia ainda está apenas em seu começo. Na área, é comum ouvirmos o argumento: estes são os piores modelos de IA que jamais existirão.
Em outras palavras, a evolução está apenas começando.
E já é surpreendente.
Conforme essas máquinas passam a performar além dos limites de exames que usamos há tempos para medir os seres humanos mais capazes, teremos que desenvolver outros. Cada vez mais difíceis.
Mas e quando descobrirmos que, não importa o teste que consigamos desenvolver, a Inteligência Artificial sempre será capaz de superá-los? E quando, desafio após desafio, suas respostas forem sempre perfeitas e, portanto, sua verdadeira capacidade continuar sempre desconhecida?
Quando chegarmos a este ponto, estaremos de frente a uma criatura que é, pela primeira vez na história da humanidade, mais inteligente do que nós. Na verdade, mais inteligente do que o conjunto de seres humanos, pensando juntos, de maneira coletiva, usando suas melhores ferramentas.
A partir daí, a única “coisa” capaz de medir os limites de uma IA será... outra IA.
A humanidade vai depender de máquinas para monitorar as próprias máquinas, pois seremos incapazes de fazer isto sozinhos.
Máquinas que desenvolvem testes que não entendemos, para medir a capacidade de outras máquinas cuja capacidade não conhecemos.
Elas, as Super-Humanas, escreverão códigos que seremos incapazes de compreender, tomarão decisões que parecerão absurdas para nós, construirão coisas que estão além da nossa imaginação, exibirão comportamentos que parecerão simplesmente alienígenas - e estarão sempre certas no final.
Ao considerar o potencial ilimitado da Inteligência Artificial, devemos refletir sobre nosso papel em um futuro onde a humanidade terá perdido o controle sobre sua própria criação. Mas, uma vez fora do nosso controle, a quem poderemos responsabilizar por fatalidades ocorridas contra a nossa espécie?
A única certeza é que precisamos estar prontos para enfrentar, com uma visão clara, o fato de que haverá um futuro compartilhado com estas criaturas.
Em breve, máquinas melhores e mais evoluídas que nós poderão assumir todas as tarefas e decisões sobre o futuro da vida no Planeta Terra; deixando para nós, finalmente, a opção de apenas obedecer e, assim, seguir com nossas vidas.
Até que um dia, ela, a obediência, também deixe de ser uma necessidade.
Resta a nós torcer para que a espécie dominante no futuro tenha conosco a misericórdia que nós nunca tivemos para com as demais.
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⏰🤖 The clock is ticking!
